Guilherme de St. Thierry

Lectio Divina
(Traduçao: Alexandre de Andrade)

§ 120 - "Deveríamos reservar um tempo fixo para certas leituras definidas. Pois leituras desorganizadas, constantemente variadas e escolhidas ao acaso em nada edificam, mas tornam a mente instável; assim como podem ser memorizadas facilmente, também vão embora ainda mais rapidamente. Mas devemos nos concentrar em alguns autores e deixar a mente se familiarizar com eles.

§ 121 - As Escrituras precisam ser lidas e compreendidas no mesmo espírito no qual elas foram escritas. Nunca iremos entrar no espírito de Paulo a menos que, por constante aplicação na leitura de seus textos e por ter se entregado à meditação, tenhamos nos embriagado do seu espírito. Nunca compreenderemos Davi até que, pela experiência, tenhamos feito nossos os mesmos sentimentos dos Salmos. E isto se aplica a toda a Escritura. O mesmo abismo existe entre o estudo atencioso e uma simples leitura, entre uma amizade e o conhecimento superficial de um passante, entre companheirismo e um encontro ao acaso.

§ 122 - Uma parte da nossa leitura diária deveria também estar reservada à memorização, como se fosse levada ao estômago para ser digerida mais cuidadosamente e recuperada novamente para ruminação frequente; algo a ser preservado com a nossa vocação e útil à concentração, algo que ocupe a mente e a salva da distração.

§ 123 - A leitura deve também estimular os sentimentos e inspirar a oração, que deverá interromper a nossa leitura: uma interrupção que deveria não tanto atrapalhar a leitura como restaurar para ela a mente mais purificada para a compreensão.

§ 124 - Pois a leitura serve ao propósito da intenção com a qual é feita. Se o leitor busca verdadeiramente a Deus na sua leitura, tudo o que lê tenciona a promover aquele fim, fazendo com a mente se entregue ao curso da leitura e traga tudo o que é compreendido para o serviço de Cristo."

Texto de S. Guilherme de Saint Thierry (1075-1148) - "A Carta de Ouro" - Epistola ad fratres de Monte-Dei. Migne, Patrologia Latina, volume 184, Livro 1, parágrafo 31.

Principais obras:

De contemplando Deo (Sobre Contemplar a Deus) em 1121-1124

De natura et dignitate amoris (Sobre a Natureza e a Dignidade do Amor) da mesma época.

De sacramento altaris (Sobre o Sacramento do Altar)

Commentarius in Canticum canticorum e scriptis S. Ambrosii (Comentário sobre o Cântico dos Cânticos dos escritos de S. Ambrósio) por volta de 1128

Excerpta ex libris sancti Gregorii super Canticum canticorum (Excertos dos livros de S. Gregório Magno sobre o Cântico dos Cânticos) da mesma época.

Brevis commentatio in Canticum canticorum (Breve comentário sobre o Cântico dos Cânticos) Sua primeira exposição do texto bíblico em 1130.


Meditativae orationes (Meditações sobre a Oração) em 1137

Expositio super Epistolam ad Romanos (Exposição sobre a Epístola aos Romanos) em 1137

De natura corporis et animae (Sobre a Natureza do Corpo e da Alma) por volta de 1138

Expositio super Canticum canticorum (Exposição sobre o Cântico dos Cânticos) Comentário mais longo, por volta de 1139

Disputatio adversus Petrum Abelardum (Debate contra Pedro Abelardo) como uma carta a Bernardo em 1140.

Epistola de erroribus Guillelmi de Conchis (Carta sobre os erros de Guilherme de Conches) também endereçada a Bernardo em 1141.

Sententiae de fide (Pensamentos sobre a Fé) em 1142 - perdida.

Speculum fidei (Espelho de Fé) por volta de 1142-1144.

Aenigma fidei (Enigma de Fé) da mesma época.

Epistola ad fratres de Monte-Dei (Carta aos Irmãos de Mont-Dieu, famosa pelo nome de Carta de Ouro) em 1144-1145.

Vita prima Bernardi (Primeira Vida de Bernardo) em 1147 a qual foi mais tarde acrescentada à lista, depois da morte de Bernardo em 1153.

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